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A História da Imprensa Nacional

A Imprensa Nacional nasceu por decreto do príncipe regente D. João, em 13 de maio de 1808, com o nome de Impressão Régia. Recebeu, no decorrer dos anos, novos nomes: Real Officina Typographica, Tipographia Nacional, Tipographia Imperial, lmprensa Nacional, Departamento de Imprensa Nacional, e, novamente, Imprensa Nacional.

 

A partir de dois rudimentares prelos iniciais e 28 caixas de tipos que vieram de Portugal a bordo da nau Medusa, integrante da frota que trouxe a Família Real Portuguesa, a Imprensa Nacional orgulhosamente ostenta uma singular história de serviços ao país, tanto em sua missão de registrar diariamente a vida administrativa do Brasil pelo Diário Oficial da União, como por ser órgão de substantiva importância no plano cultural.

 

A história dos mais de 200 anos dessa instituição pública, uma das mais antigas do país, confunde-se com a História do Brasil e pontua o desenvolvimento da informação e da cultura do país. Foi a Imprensa Nacional que fez surgir a imprensa no Brasil, em 13 de maio de 1808, e o primeiro jornal impresso no país, a Gazeta do Rio de Janeiro, em 10 de setembro de 1808, além disso, teve sólida presença como casa editora até o ano 2000. Ou seja, sua criação é, inquestionavelmente, um dos mais belos legados da transferência da Corte Portuguesa para o Brasil, uma herança que sempre se traduziu em bons e imprescindíveis serviços à sociedade, à Nação.

 

Modernização

 

Nos primeiros passos do processo de modernização do órgão, destaca-se o lançamento, em 28 de janeiro de 1997, do endereço eletrônico http://www.in.gov.br, imediatamente acessado por milhares de pessoas em todo o mundo. No dia 17 de março daquele ano, a Imprensa Nacional disponibilizava parte da Seção I do Diário Oficial da União na rede mundial de computadores.

 

Um outro momento marcante da história recente da Imprensa Nacional foi o título conquistado pelos Diários Oficiais, na edição do dia 19 de dezembro de 1997, de jornal de formato tablóide com o maior número de páginas do mundo. Ao atingir a incrível marca de 2.112 páginas, aquela edição teve tal recorde homologado pelo Guinness Book. Depois disso, o recorde foi várias vezes superado, chegando ao dobro do número reconhecido pelo Guinness, o que demonstra bem a capacidade gráfica e editorial do Órgão.

 

A inserção da instituição na era digital avançou mais um passo em 20 de abril de 2000, nas comemorações dos 40 anos de sua atividade em Brasília. Nesse dia, foi lançado o Diário Oficial completo na Internet, ampliando a democratização do acesso do cidadão às leis.

 

A Imprensa Nacional trabalha 24 horas por dia para cumprir com excelência o seu grande objetivo: assegurar com efetividade a publicação e a divulgação dos atos oficiais da Administração Pública Federal.

 

Pioneirismos

 

Com os dois primeiros prelos e 28 caixas de tipos que, à época, o “Correio Braziliense” informou terem custado cem libras esterlinas - foram iniciados os trabalhos de impressão oficial no Brasil. Eles imprimiram as primeiras leis, alvarás, cartas régias, além de congratulações, odes, atos episcopais, orações e compêndios literários.

 

A Imprensa Nacional foi também pioneira na área editorial. O primeiro impresso que saiu de um dos seus prelos foi um livreto de 27 páginas, exatamente no dia de sua criação: 13 de maio de 1808, data de aniversário de D. João. O título do livro é "Relação dos Despachos Publicados na Corte pelo Expediente da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, no Faustosíssimo Dia dos Anos de S. A. R. o Príncipe Regente N.S.".

 

Deste in-fólio de caráter oficial, saltava-se, por ordem de Sua Alteza Real, para uma obra acadêmica chamada "Reflexões sobre Alguns dos Meios Propostos para o Mais Conducente para Melhorar o Clima da Cidade do Rio de Janeiro", que é considerado o livro mais antigo publicado no Brasil. Ano: 1808.

 

Depois, sempre pioneira, editava em 1811 o famoso "Uraguay", de José Basílio da Gama, preso e exilado na África por ser jesuíta. Havia — como ao longo desses quase 200 anos —grande vitalidade produtiva em sua redação e oficinas. Uma prova disso: entre 1808 e 1822, saíram das impressoras da Impressão Régia nada menos que 1.154 impressos, dos quais várias obras científicas e literárias de grande valor. Entre elas, destacam-se, por exemplo, "Elementos de Geometria e o Tratado de Trigonometria", de Legendre, "Ensaio sobre a Crítica" e "Ensaios Morais", de Pope, "Marília de Dirceu", do inconfidente mineiro Thomaz Antonio Gonzaga, e as "Obras de Virgílio".

 

Na infância da imprensa brasileira, que se estendeu até a Proclamação da Independência, surgiram a Imprensa Nacional (que a fez nascer) e doze oficinas tipográficas em várias províncias. É inequívoca –sobretudo em decorrência dos estudos históricos mais recentes – a plural importância da Impressão Régia, que além de criar a imprensa em nossas terras difundiu a cultura, o que resultou em promoção da civilização brasileira pela circulação de idéias. Também foi partícipe da criação do Estado brasileiro.

 

Empreendeu esforços tecnológicos inéditos, o que ao longo dos cem anos vindouros viria a se tornar um dos pontos altos de sua história de pioneirismos. Por exemplo, em 1809, os seus técnicos construíram, em madeira, o primeiro prelo da América do Sul e, em 1811, foi instalada a primeira fábrica de tipos. Foi este órgão que, além de instalar a primeira rotativa no país, em 1902, fez funcionar as primeiras linotipos e monotipos. A gravação e a estereotipia, por sua vez, desenvolveram-se em suas oficinas.

 

Atos oficiais

 

A missão fundamental da Impressão Régia era, assim como é atualmente com a Imprensa Nacional, publicar os atos oficiais do Governo  que se instalou no Rio de Janeiro em 7 de março de 1808.

 

Em 10 de setembro daquele ano, saía de suas oficinas o primeiro jornal impresso no Brasil, o “Gazeta do Rio de Janeiro”, que divulgava atos e diplomas legais, incluindo notícias originárias do exterior. Até 30 de setembro de 1862, os atos oficiais foram publicados em vários outros veículos impressos, inclusive como matéria paga. Foi quando, em 1º de outubro de 1862, o Governo resolveu, durante o 18º Gabinete do 2º Reinado, sob a presidência Conselho de Ministros de Pedro de Araújo Lima, Marquês de Olinda, editar o Diário Oficial, que nunca mais deixou de ser publicado.

 

Sedes

 

O Presidente Juscelino Kubitschek determinou que o Diário Oficial publicasse os primeiros atos da nova capital do País e para isso não mediu esforços.  Juscelino Kubitschek trouxe do Rio, às pressas, 50 servidores públicos da Imprensa Nacional que, trabalhando dia e noite, rodaram, de forma heróica, o Diário Oficial, com os primeiros atos de Brasília. Uma curiosidade: o Setor de Indústrias Gráficas foi criado por causa da Imprensa Nacional. O Diário Oficial é rodado em Brasília desde a inauguração da Capital, em 21 de abril de 1960. O Diário da Justiça foi editado, impresso e distribuído pela Imprensa Nacional até 31 de dezembro de 2010.

 

A Imprensa Nacional, então Impressão Régia, foi inaugurada no pavimento térreo da casa nº 44, na Rua do Passeio, no Rio de Janeiro, na residência do Conde da Barca.

 

Essa foi a primeira sede. Mais tarde, a Impressão Régia foi transferida para a Rua dos Barbonos, atualmente Evaristo da Veiga, esquina da Rua das Marrecas. Dali, voltou para a Rua do Passeio, em 1809. Depois foi transferida para a Academia de Belas Artes e, a seguir, para o prédio da Cadeia Velha. Em 26 de agosto de 1874, o ministro da Fazenda, Visconde do Rio Branco, iniciou a obra do edifício que abrigou a nova sede da Imprensa Nacional, localizada na Rua 13 de maio, à época chamada Rua Velha Guarda. Funcionou ali até 1940.

 

Em 15 de setembro de 1911, um grande incêndio destruiu a maior parte das instalações da Imprensa Nacional. O fogo varreu arquivos de documentos, publicações raras e o preciosíssimo acervo de sua biblioteca. Apesar do acidente, a sede continuou no mesmo endereço até 27 de dezembro de 1940, quando um novo prédio, inaugurado pelo Presidente Getúlio Vargas, abrigou, na Avenida Rodrigues Alves, as atividades do órgão. Foi a última sede no Rio de Janeiro.

 

Vanguarda

 

A Imprensa Nacional participou ativamente do progresso e da vida intelectual do País ao dar luz à imprensa periódica. Papel igualmente relevante teve no desenvolvimento das artes gráficas. A produção de selos e estampilhas foi, durante muito tempo, produto exclusivo do pioneirismo da Imprensa Nacional, feito pela contribuição apaixonada de mestres e artesãos trazidos de outros países, especialmente da Inglaterra.

 

É motivo de orgulho lembrar que foi a Imprensa Nacional quem produziu o primeiro clichê do Brasil. Após criar o Real Arquivo Militar, da Academia Militar e da Marinha, D. João VI pediu ao gravador Paulo dos Santos Ferreira Souto a confecção do clichê, em cobre, da planta da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. O ano: 1808. O Real Arquivo Militar precisou de quatro anos para produzi-lo, mas em 1812 a Imprensa Nacional fez a primeira impressão com ele.

 

O clichê da planta do Rio de Janeiro é uma das várias raridades do Museu da Imprensa, localizado nos jardins da Imprensa Nacional, em Brasília. O acervo do Museu possui mais de 500 peças e documentos, cuidadosamente preservados num prédio de 680 metros quadrados.

 

A modernização da Imprensa Nacional, sustentada por tecnologias de ponta e por capital intelectual, fortalece sua missão institucional de, com efetividade, levar aos Três Poderes e ao cidadão de todos os pontos do País e do Exterior os Diários Oficiais, verdadeiros instrumentos de exercício da cidadania e de fé pública.


A Imprensa Nacional é, verdadeiramente, um elo forte entre Governo e sociedade. Trabalha 24 horas por dia com a mais elevada consciência de espírito público. Consciência registrada nas milhares de páginas diárias do Diário Oficial da União, hoje disponíveis na rede mundial de computadores por meio do Portal da Imprensa Nacional. A primeira versão do Portal, lançada em 1º de outubro de 2007, no aniversário de 145 anos do Diário Oficial da União, manteve-se estável graças a avançados recursos tecnológicos,  que permanecem na nova versão levada ao ar no dia 13 de setembro de 2013. Além desse fato, oferece certificação digital e modernos recursos de pesquisas. Situa-se entre os três sítios eletrônicos mais acessados do País e ainda  garante acessibilidade a deficientes visuais. Tudo isso para permitir o mais amplo acesso do cidadão aos atos oficiais da Administração Pública Federal.